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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

A arte do cuidado

A coisa mais perigosa que um cara pode fazer, quando conhece uma nova garota, é entrar nesse relacionamento com o frame do apaixonado perdedor. Trata-se da maneira mais detestável e bundona de lidar com uma nova garota que se conhece. O cara conhece a mulher - normalmente em situações de "amor à primeira vista" -, já acha que aquilo é amor e, no dia seguinte... Manda flores, doces, cartas de amor, ou qualquer naba que seja, para a moçoila. Ou então, já chega fazendo elogios, dizendo coisas do tipo: "Você é a coisa mais linda e maravilhosa que já cruzou meu caminho. Acho que conheci o amor!". DUH! Eu mesmo nem sei o que é pior. Mas tudo bem, eu entendo. Essas porcarias e esse modo torto de lidar com o sexo oposto não está na mente deles por acaso. Vivemos numa sociedade que consome muito lixo midiático - ou seja: nós aprendemos como conquistar nossas mulheres baseados em filmes, novelas e romances. Há! Ecce homo! (Eu sei, faço aqui a minha mea-culpa: também já fui assim.)

ESCLARECIMENTO: Acho que já expliquei em posts anteriores, mas é bom lembrar: a palavra frame significa, neste contexto, "perspectiva". A perspectiva com a qual nós encaramos/passamos por uma situação. A maneira como lidamos com ela.

O problema é que isso é muito nocivo, pois é o que faz essas mulheres correrem deles - e fazê-los infelizes. Esse tipo de comportamento é com certeza bastante deplorável para ELAS, inclusive, pois subcomunica que o sujeito está apaixonado baseado na aparência dessa pessoa, e não na sua PERSONALIDADE. Como ele pode estar tão apaixonado se nem mesmo a conhece direito? Ninguém gosta de ser admirado apenas por sua aparência. Como se fosse algo vazio. Além do que, demonstra, para a garota, que o sujeito é carente, necessitado e manipulador (Sim, as mulheres vêem o ato de tentar seduzi-las com presentes e elogios como uma manipulação. É como se o homem tivesse dizendo: "Eu não sou uma pessoa interessante, divertida, portanto, preciso comprar o seu amor e a sua atenção com esses presentes.")

(Além do que, existe a escabrosa possibilidade de, por termos apenas julgado pela aparência, descobrirmos, por exemplo, que a tal "garota" é um travecão, na verdade!)

Hoje, eu mesmo, sou uma pessoa que sempre, ao conhecer uma nova garota, entro na relação com ela com o frame da AMIZADE. Sem expectativas, sem olhar para ela, pela primeira vez, e pensar: "Essa será a mãe dos meus filhos e a mulher com quem dividirei a minha vida até o final dela" (quanto a filhos, nem seria possível, anyway, pois são a última coisa que penso em ter). Eu apenas estou ali para CONHECÊ-LA e AVALIÁ-LA. Se ela se mostrar alguém interessante e realmente fascinante para mim, daí, sim, poderei pensar em ir mais a fundo com ela. Isso, além de evitar que eu me machuque, colocando a merda da expectativa em grande dose em uma determinada pessoa, permite também que eu procure conhecer mais essa menina e analisá-la a fundo, para conseguir saber até aonde eu agüentarei ir com ela.

Há uns dias atrás, posso dizer que matei a última paixão que tive com o antigo frame. Chamava-se Nicole. Eu a conheci na minha fase de beta, de perdedor, lá por meados de 2006. Essa história representa bem o início deste texto: amor à primeira vista, por uma menina que morava em Belo Horizonte, e me baseando em apenas umas fotos dela, que estavam em seu fotolog. Tentei atrai-la de uma maneira bem perdedora: "Nossa, adorei este fotolog. Virei sempre aqui". Ela não respondeu, e, só em setembro do ano passado, após quase dois anos sonhando com ela, é que consegui criar coragem para adicioná-la no Iogurte e no MSN.

A esta altura, eu já havia mudado muito a minha maneira de operar em relação ao sexo oposto. Eu não comecei a conversa elogiando-a e fazendo outras coisas de perdedor (e creio que NUNCA a elogiei e nem fiz coisas de perdedor, com ela). Comecei de modo bem natural, como se estivesse querendo conhecê-la. E me colocando para ela como se o MEU amor por ela fosse um prêmio para ela. O problema, amigos, é que, quando você já está num frame há muito tempo, é muito difícil de sair dele. Então, com a Nicole, a coisa não foi diferente: eu continuei com a expectativa, e vendo ela como a mulher da minha vida - o que era uma grande burrice, pois ela era muito diferente de mim, seja no tipo de música, no tipo de filmes, no tipo de modo de pensar, na maturidade. E, estando num frame, você age de acordo com ele. Nesse caso específico, você põe tudo a perder. Minha mente já estava programada para lê-la como "a mulher da minha vida". How suck! Mas, como um dia tudo acaba, ela acabou também. Eu mesmo determinei o fim.

"Well it's about time
It's beggining to hurt."



De aqui em diante, eu acho que poderei viver as coisa de uma maneira muito mais plena. O frame da amizade é a coisa mais protetora que alguém pode adotar para si mesmo. Ele impede você de cometer muitos erros, meu caro. Erros tais que podem lhe causar sérios danos, mate.

Escutando: Depeche Mode - Useless

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Aprendendo com os erros

A primeira coisa que deve ser pensada, quando existe a vontade de fazer uma mudança de hábito, de paradigma ou de frame (termo que será explicado abaixo), é a gente ter uma boa política de relacionamento com nossos erros. Existem basicamente dois modos de nós interpretarmos nossos erros: ou encaramos como a prova cabal de que somos uns fodidos, perdedores, incompentes, betas, ou que cada um deles é a porta para um aprendizado, e que o fracasso é algo inexistente, e só existe se você assim decide. (Pois como já diria o Winston Churchill: "O sucesso não é a finalidade nem o fracasso é fatal").

Frame é um conceito tomado da PNL (Programação Neuro-Lingüística). Segundo a PNL, a grosso modo, o cérebro humano funciona como um computador: ele possui um processador (nosso cérebro, em si) e circuitos (nosso conjunto nervoso, que manda e recebe sinais, estímulos, pensamentos). Por ser um computador, ele possui uma programação - novamente aquele modo de operar. E é aí que tá o trabalho: para criar um novo frame, você precisa desprogramar circuitos, ou pensamentos seus que são nocivos, para colocar uma gama de outros novos que mudarão sua personalidade.

Bem, finalmente, frame é um conceito usado para se referir a padrões de pensamento. Padrões de pensamento, por sua vez, são a sua maneira de enxergar o mundo e a você mesmo - incluindo aí suas capacidades ou a falta delas - e a sua maneira de operar (modus operandi), de agir, sempre seguindo as instruções deles (todo um processo feito pela sua programação mental - PNL). Por exemplo: se você se acha incapaz de fazer algo, irá agir segundo esse frame - dizendo para si mesmo que não é capaz e não tomará as atitudes necessárias para agir corretamente. Da mesma forma que, pelo contrário, se o seu frame for o de alguém que acredita ser capaz de fazer coisas, você agirá inconscientemente de modo a fazer as coisas certas para realizar essas coisas.

Na maioria das vezes, você cria seu frame a partir das suas experiências. Se você foi muitas vezes elogiado, bem recebido, tende a achar que é bons, forte, pré-selecionado e vitorioso. Mas se foi muitas vezes rejeitado, destratado, foi porque algo deu errado, e você pode criar uma auto-imagem negativa (um mau frame), como é o caso de crianças muito rejeitadas dentro de casa, que culminam em ter uma auto-estima baixa.

Então, o que os frames têm a ver com a maneira de ver os erros? Ora, tudo. Os frames são a maneira pela qual você dialoga com seus erros. Se você tem o frame de um vencedor, perseverante (um alfa), você irá pensar que, quando algo der errado, não deu porque o problema está em você, na sua personalidade ou na sua habilidade, mas, sim, que algo na sua estratégia, no seu modo de operar precisa ser corrigido. Desse modo, as coisas serão produtivas, você será alguém melhor, pois aprenderá a detectar, corrigi-los e principalmente: nunca mais repeti-los. No entanto, se você operar com o frame de um perdedor, de um beta, você irá pensar que o problema está em você, e você é um fracassado, um merda.

O diabo (ou a salvação) que tem é que, quando você opera num frame, as pessoas à sua volta vêem você operando desse modo, com esse padrão de pensamento, por mais que tente esconder, ou dizer o contrário. Isso porque nós todos somos uma comunicação ambulante, em potencial. Uma comunicação que emite mensagens subdividas em duas categorias: as mensagens verbais e as não-verbais. As verbais são as mensagens emitidas através da fala e respondem por cerca de 7 ou 8% da nossa comunicação. Já as mensagens não-verbais são nossas mensagens corporais, que podem vir dos nossos gestos, das nossas excrecências (como o suor), da nossa respiração e de outras fontes silenciosas e respondem pelos outros 93 ou 92% da comunicação pessoal. E, conforme já mencionado, as pessoas percebem o seu frame muito mais através da sua comunicação não-verbal porque a recepção desse tipo de mensagem se dá de modo inconsciente para as pessoas (quem nunca experimentou aquela sensação de "o santo não ir com o do fulano", assim, sem motivo?), e está enraizada na evolução da nossa espécie - claro, porque a linguagem do corpo é mais remota que a linguagem da fala. (Isso tudo pode ser conferido em um interessante livro, O Corpo Fala, de Pierre Weil e Roland Tompakow.)



Ou seja: não adianta nada você dizer que é forte, é dominador e destemido (comunicação verbal), se as suas mãos e pernas tremem, você exala suor ou um cheiro, fica vermelho, palpita fortemente em situações de risco para o seu "eu" (comunicação não-verbal). Esse tipo de frame é chamado de incongruente, pois a sua comunicação verbal não casa com a não-verbal. Isso é percebido de modo inconsciente, variando em cada pessoa o nível de percepção.

O problema é que abandonar um frame, um padrão mental de pensamento que você já possui a muito tempo leva tempo, e muito esforço; é um trabalho diário. Você precisa fazer uma nova programação, destruir frames nocivos e auto-destrutivos e criar um frame forte. E é aí que tá o trabalho: para criar um novo frame, você precisa desprogramar circuitos que durante muito tempo estiveram presos em sua mente. E leva tempo até que o seu novo frame adquira congruência, ou seja, os novos códigos inseridos por você em seu cérebro entrem em harmonia com suas atitudes (respostas à esses códigos), de maneira que você toma essas atitudes de modo natural. (Afinal, você passou boa parte da sua vida com um frame, uma programação mental negativa, e seu cérebro se acostumou com isso).



Por isso, mãos à obra! Se você continuar pensando, após cometer seus erros, que não nasceu para determinada coisa ou estilo de vida, irá, uma hora ou outra, desistir do seu projeto e não atingirá a sua meta, a sua mudança, acarretando tristeza, desconforto, frustração e garantindo a continuidade de um modo de viver e de pensar medíocre. Uma prisão.